Archive for outubro, 2009

Operacionais Brasileiros nos EUA – Última parte

DIA 03 – HAJIS DON’T SURF

Entre um bom dia senhores e muitos UHAS motivados, voltamos a linha de tiro para o “aquecimento dos canos”, no terceiro dia do Seminário Artes de Combate. O grupo novamente dividido em equipes Alpha e Bravo teve dois blocos de instrução, constando de táticas em dupla, fundamentos do CQB e uma pista de combate com pistola, em uma pequena e saudável disputa entre os instruendos.

Enquanto Alpha realizava o treinamento de CQB em duplas, Bravo passava pela pista de tiro, que envolvia conceitos de solução de panes, dois disparos em cada alvo, comunicar, deslocar, recarga tática e como um plus, três disparos de calibre 12 em alvos de metal à 7 jardas.

Durante o exercício de combate  em ambientes confinados, a ênfase foi dada na comunicação, cobertura e deslocamento, da dupla, sempre tendo a certeza de que enquanto um operacional cobria a área de risco, outro se deslocava para o próximo ponto de entrada. Com tanta técnica a ser trabalhada, a manhã passou como um furacão e quando percebemos já passava das duas da tarde. Encerramento da instrução na área do stand para que todos tirassem fotos, desequipassem e seguissem para um hotel na cidade de West Corvina para a palestra a ser proferida pelo instrutor Erik “Mad Mac” Mackenzie.

Eric já esteve no Iraque por algumas vezes tendo trabalhado para empresas como Triple Canopy, na área de segurança e proteção pessoal. Durante sua palestra, apresentou as condições de batalha naquele ambiente, bem como as condições as quais os “civilian contracts” tem enfrentado, como problemas de suporte logístico, apoio, trabalho conjunto com forças militares e os confrontos contra os insurgentes. Como mote (lema) do curso, a frase baseada na fala do coronel Kilgore no filme Apocalipse Now, adaptada aos dias de hoje: – HAJIS DON’T SURF! (Haji – forma como são chamados os insurgentes islâmicos).

Surfando ou não, segundo Mac, seu acampamento em Basra era atacado diariamente por morteiros, em uma chuva constante, não restando outra alternativa senão buscar a proteção de bunkers enquanto se tentava localizar a origem dos disparos. Finda a palestra, diplomas entregues, agradecimentos feitos, o clima de descontração aumentou ainda mais com  o churrasco de final de curso, com sabor de comida mexicana e feijões que só traziam ainda mais lembranças de casa.

Felizes pela missão cumprida e pelo ótimo treinamento realizado, só nos resta agora esperar pelo COMBAT ARTS SEMINAR 2010.

Semper fi

Rodrigo Müller


Operacionais Brasileiros nos EUA – 4.parte

“Já velho conhecido do “Gunny” Bunker (designação de sargento de artilharia dos fuzileiros navais americanos), instrutor do bloco de combate com pistolas, eu já imaginava a qualidade da instrução que receberíamos. Sempre preocupados com a segurança, as regras de manter o dedo reto e fora do gatilho, usar os mecanismos de segurança da pistola (decocking e trava) e controle do cano foram extensamente faladas durante toda a instrução. Jason “The Preacher” Van Bunker enfatizava a cada bloco de exercícios os fundamentos e conselhos que acreditava importantes para qualquer confronto armado. Dentre suas máximas na linha de tiro, conselhos como: “Durante um confronto armado é preciso agir: A primeira coisa é: FAÇA ALGO….e a segunda coisa é: FAÇA ALGO CORRETO.”

Disparos na distância de 07 jardas nos primeiros exercícios, com passo lateral e posteriormente com viradas estacionárias, através do processo completo de saque; com a arma em posição sul; em pares controlados e com “moçambique drills”. A distância do confronto foi aumentando gradativamente, com disparos realizados em posição ajoelhado e finalmente a 15 jardas na posição deitado. Sempre em conjunto de disparos suficientes para deter o oponente, normalmente com dois disparos no tórax e um na cabeça. A recarga tática era a preferível durante a instrução, sempre realizada pelos operacionais no sistema de Alpha/Bravo/Pronto/De pé. Recargas emergenciais quando a situação se apresentava e simulação de panes em exercícios específicos (absolutamente necessária, uma vez que panes reais durante os 500 disparos efetivamente não aconteceram).

O sol deu-se por vencido uma vez que não conseguiu nenhuma baixa dentro do grupo Alpha e próximo às 17 horas, brindados por um delicioso vento vindo das montanhas, o segundo dia de instrução chegou ao fim, nos deixando com a sensação de querer chegar logo ao terceiro dia e ver o que nos esperava.”


Operacionais Brasileiros nos EUA – 3.parte

“DIA 02 – PARANDO O SANGRAMENTO, CONTROLANDO VIAS AÉREAS E EXTRAINDO

O time Alpha alinhou-se novamente no stand para os procedimentos iniciais de descarregar, logo após o briefing do dia. Max informou que os dois blocos de instrução do dia 02 envolviam conceitos de medicina tática e combate com pistola. Coube ao nosso grupo no bloco matutino a maravilhosa instrução de Doc James Kreter. Inicialmente apresentando seu vasto curriculum, Doc em seqüência demonstrou a utilização de cada instrumento utilizado na área de atendimento ao trauma. Mesmo conceitos básicos como a aplicação de um torniquete tomaram outra amplitude quando explicados por este homem gentil, direto e exigente.

Enfatizando sempre a necessidade de agir imediatamente em uma ocorrência de trauma, Doc Kreter nos fez gravar os conceitos básicos do atendimento tático/médico emergencial: 1º. – Parar o sangramento, 2º. – Controlar as vias respiratórias/aéreas e 3º. – Extrair o ferido.

Destacou a necessidade de uma boa extração, inclusive com a adoção de planos pré-determinados, sem os quais os dois primeiros conceitos em nada ajudarão o ferido, que poderá perecer em um prazo de uma hora se não receber atendimento médico pós-traumático adequado.

O exercício inicial de contato era realizado com uma reação armada a um confronto à frente (Gun front!), com o Operacional simulando ter sido atingido por um disparo, sentando-se, garantindo a segurança e aplicando corretamente um torniquete na perna ferida. Na seqüência, a correta técnica de aplicação da bandagem israelense foi ensinada e novamente exercícios com tiro real e nova simulação de ferimento/aplicação de bandagem foi feito. Nas técnicas em dupla, o “ponta” recebia um ferimento e imediatamente o segundo homem engajava o alvo, promovia a segurança e então efetuava a correta aplicação de torniquete ou bandagem, de acordo com o comando do instrutor. Intervalos para reidratar e municiar carregadores e exercícios de extração de operacional ferido foram implementados, em grupos de quatro homens.  Duas extrações foram intensamente treinadas, sempre com a proteção de cobertura por parte de pelo menos dois operacionais.

O tempo voou e quando reparamos, a manhã já havia acabado, sobrando apenas os 15 mikes (minutos) de intervalo para engolir um sanduíche, reidratar, carregar e seguirmos para o bloco vespertino, de combate com pistola.”


Operacionais Brasileiros nos EUA – 2.parte

“Ultrapassado o bloqueio policial e devidamente escoltados até as enormes instalações do Burro Canyon Shooting Range, tivemos 15 minutos para nos equipar, receber o armamento (pistolas Glock 19, com frame nas cores verde e tan) e as munições (500 disparos em média por Operacional da munição Lellier & Bellot) e nos reunirmos em formação SKULL (formação caveira ou o nosso popular três-meia-zero) para o briefing do curso.
_”Bom dia senhores, meu nome é Max Joseph e eu serei o seu instrutor principal neste curso, espero que todos estejam extremamente motivados para este Seminário Artes de Combate”, o que foi seguido de brados e UHAS por parte dos mais de 26 Operacionais presentes. Integravam o curso toda a companhia Charlie da Policia de San Francisco, sheriffs e policiais de diversos estados americanos, militares, marines e outros operacionais. Nós brasileiros fomos recebidos maravilhosamente bem por todos, curiosos principalmente sobre as “tão faladas” condições de trabalho e situações de confronto enfrentadas pelos policiais brasileiros.

Após as apresentações o grupo foi dividido em dois times, Alpha e Bravo, e coube aos brasileiros as posições de números 01 a 04. Dessa forma, nosso primeiro bloco de instrução ficou à cargo do próprio Max Joseph e seu instrutor auxiliar Eric “Mad Mac” Mackinzie, que nos brindaram com táticas de proteção PSD/VIP.

Alinhados a 7 jardas, efetuamos disparos para aquecer os canos e nos ambientarmos com o armamento. Sempre ao comando de “Gun Front” que era prontamente respondido pelos Operacionais em postura de combate e com disparos em áreas do alvo pré-determinadas pelo instrutor, os conceitos de ATIRAR-DESLOCAR-COMUNICAR foram utilizados ao máximo, inclusive com exercícios de viradas estacionárias à direita, esquerda e retaguarda. Após cerca de 100 disparos efetuados, os exercícios de escolta e formação de proteção foram implementados, com trabalho em duplas, trios e quartetos, reagindo a confrontos e efetuando a extração do “Principal”. Após os exercícios de escolta e deslocamento, pequenos intervalos para reidratar e encher os carregadores, técnicas de proteção e intervenção física no contato do VIP com o público foram treinadas, mostrando como evitar que o dignitário seja pressionado ou constrangido por alguém durante uma aparição pública. Na seqüência, um carro sedan (para o VIP) e uma SUV (para a equipe de escolta) foram disponibilizados e táticas de deslocamento, embarque e desembarque foram executadas, com reação armada às tentativas de ataque ao protegido. Sem qualquer intervalo para almoço, limitando-se somente há 15 minutos para novamente reidratar, mastigar um sanduíche enquanto se completavam os carregadores, o bloco da manhã foi concluído, deslocando-se o time Alpha para a prática de Táticas Defensivas.

Sob o sol californiano escaldante, completamente equipados com colete tático/balístico e lacres plásticos nos canos das pistolas, o bloco vespertino foi iniciado, a cargo de dois instrutores, um deles boina verde/MACV veterano do Vietnam e outro especialista em Artes Marciais. Composto inicialmente de trabalho de boxe, com adequação à postura de combate, praticamos socos, ataques com as palmas das mãos, joelhos e cotovelos em escudo protetor. Na seqüência, imobilizações utilizando as articulações de pulso e cotovelo. Intervalos curtos de 05 minutos ocorriam a cada mudança de conceito e aplicação das técnicas, o que nos proporcionava a oportunidade de novamente reidratar. O chão praticamente fervia debaixo dos nossos pés e antes que pudéssemos finalizar o trabalho com bastões, bolhas já podiam ser sentidas, mesmo utilizando as modernas botas Oakley, Converse ou Bates. Por volta de 17:00 horas a instrução foi finalizada, com o debriefing efetuado por Max que relembrou os conceitos passados no dia, exortando mais uma vez a moral dos Operacionais, que cansados mas ainda motivados responderam com o UHA característico. O médico de combate Doc James Kreter relembrou a necessidade de evitar “abusos” durante a noite e fomos dispensados para o nosso sagrado descanso, recarregar as baterias e retornar então no outro dia para o reinício das atividades.


Operacionais Brasileiros nos EUA – 1.parte

A partir de hoje estaremos inserindo uma série de textos elaborado por Rodrigo Müller relatando a participação dos Operacionais Brasileiros no Seminário Artes de Combate (CAS – Combat Arts Seminar) realizado entre os dias 18 e 19 de setembro deste ano na TFTT em Los Angeles, California.
A Tees Brazil fez o ‘meio de campo’ para que os operacionais pudessem realizar este curso com pleno sucesso.

Acompanhe o relato:

HAJIS DON’T SURF
OPERACIONAIS BRASILEIROS NO
SEMINÁRIO ARTES DE COMBATE

In combat, is necessary to do: First, do something,
Second, do something right…
Jason Van Bunker
Gunnery sergeant U.S.M.C.
TFTT INSTRUCTOR

Embarcamos debaixo da forte chuva paulista para enfrentarmos o calor do deserto californiano e participar do Combat Arts Seminar promovido pela TFTT (Tactical Firearms Training Team), no período de 17 à 19 de setembro. O grupo de brasileiros era composto pelos operacionais Pacheco, Ribeiro, Dondelli e Müller, todos com experiência anterior nas terras do “Tio Sam”, notadamente na área de treinamento tático. Instalados no Super 8 da cidade de Azusa (CA), parte do grupo chegou no dia anterior ao início do curso para as devidas ambientações.
DIA 1: SANGUE, SUOR E BOLHAS
O despertador nos derrubou da cama por volta de 05 horas da manhã, com o Sgt. Ribeiro já de pé e xingando a diferença de fuso horário de 03 horas que fazia nos sentirmos como se já fossem 08 horas. Rápido desjejum e seguimos com destino ao Burro Canyon Shooting Range, stand de tiro encravado no meio das montanhas californianas, em uma reserva natural. Seguimos pela Highway 39 em uma estrada tortuosa encravada no canyon, até nos depararmos com um bloqueio policial “patrocinado” pelos Chips (California Highway Patrol), a patrulha rodoviária da Califórnia, bem representada em uma série de televisão dos anos 70/80. Parados pelo patrulheiro, que nos informou sobre o fechamento da estrada, devido aos inúmeros incêndios que ocorriam na região, um plano alternativo foi organizado, através de um contato telefônico com o proprietário e instrutor principal da TFTT, o Marine Max Joseph. Para aqueles pouco antenados no mundo tático/policial as apresentações se fazem necessárias. Max Joseph é considerado hoje um dos melhores instrutores táticos mundiais, tendo em conjunto com o neozelandês Alan Brosnan, criado a famosa e tão utilizada POSIÇÃO SUL. Instruindo policiais brasileiros nos anos 90, Max observou a necessidade de criar uma postura de retenção de armamento que facilitasse o “muzzle control” (controle de cano), evitando que em entradas táticas e outras situações o Operacional “varresse” as costas de seu companheiro com o cano da arma. E para aqueles que acham que a posição Sul restringe sua utilização ao nosso país, é totalmente o oposto que se observa. Durante um curso realizado no Estado do Texas, em 2008, tive a oportunidade de ouvir de um instrutor da TTPOA (Texas Tactical Police Officer Association) elogios a postura que este teria aprendido com os brasileiros: A posição Sul.

Não perca o próximo capítulo…


CAS / TFTT

No mês passado alguns de nossos alunos participaram do curso CAS – Combat Arts Seminar na TFTT – Tactical Firearms Training Team em Los Angeles, California, USA.

Agradecendo o suporte da Tees Brazil recebemos algumas fotos, vejam:

Parabenizamos aos participantes deste excelente curso que aproveitaram uma oportunidade única de treinamento e troca de experiências com operacionais do mundo todo.

Semper Parabellum
Kevan Gillies
Diretor de Treinamento
TEES BRAZIL


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